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Dicas de Saúde / Psicologia
 
Maus tratos contra as crianças
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Tudo que gira em torno do mau trato infantil parece estar cercado da palavra difícil: compreendê lo, aceitá lo, abordá lo e até mesmo mensurá lo. A ausência de palavras costuma acompanhar os corpos e mentes maltratados: tanto o silêncio da própria criança que não conta por não entender ou porque está com medo; como o silêncio dos cuidadores que se omitem, negam ou agem com cumplicidade. Em 80 das agressões quem maltrata são os pais biológicos, contrariando qualquer lógica ou crença no bom instinto humano.

Uma pesquisa realizada durante o ano de 2010 no Pronto Socorro do Instituto da Criança (ICR HCFMUSP) constatou um aumento nos maus tratos infantis de 36 em relação ao mesmo período no ano anterior. Não sabemos como interpretar esses dados, se eles se devem a um real aumento do número de casos ou a uma maior procura por tratamento e notificação. Seja como for, os números são alarmantes.

A UNICEF realizou um estudo sobre maus tratos nos 27 países mais ricos do mundo e elaborou um relatório chamado de Innocenti Report Card 5, onde diz que 3.500 crianças morreram por ano nesses países decorrente de maus tratos. Mesmo em um estudo desse porte, os pesquisadores atentam para a dificuldade em obter estatísticas reais. Mas, esse estudo desmistificou uma idéia comum quando falamos de violência contra um menor, a que isso é exclusivo de pessoas pobres. De fato, há uma correlação entre pobreza e violência, mas essa relação não é constante; crianças de todas as classes sociais sofrem maus tratos.

São considerados maus tratos as agressões físicas (as mais comuns são hematomas, fraturas e queimaduras), psicológicas (humilhações, rejeição, desrespeito), negligência (falta de cuidados que deixam a criança em uma situação de vulnerabilidade), abuso sexual e a enigmática Síndrome de Munchausen, um transtorno psicológico onde os pais inventam doenças nos filhos e os levam recorrentemente para tratamento. Nessa síndrome, os pais sofrem de transtornos de personalidade e tem satisfação em ver os filhos serem cuidados por profissionais da área da saúde e receberem intervenções médicas.

O comportamento do agressor está associado diretamente ao uso de álcool e drogas. Estar embriagado ou drogado intensifica as agressões e no caso dos dependentes, a abstinência também aumenta a irritabilidade, fazendo com que percam mais facilmente a paciência com as crianças. O stress também colabora, porque aumenta a intolerância. Mas, as doenças psiquiátricas (psicoses e perversões) são comuns nos algozes, principalmente quando os agressores são os familiares. Nesses, percebemos sempre comportamentos incoerentes: machucam seus filhos e buscam ajuda, apresentando atitudes que não levantam suspeitas para olhares desavisados. É comum que sejam pais atenciosos e amorosos ao mesmo tempo que maltratam os filhos em momentos específicos. Machucam e buscam tratamento.

Os profissionais que cuidam das crianças têm um papel fundamental na detecção dos maus tratos infantis, pois geralmente, as famílias demoram para pedir ajuda, quando o fazem. A contradição faz parte desses quadros! A criança maltratada emite sinais, apesar de não contar o que está vivendo, mesmo para quem ela confia muito. Professores e pediatras devem estar atentos aos sinais implícitos: marcas no corpo, uso de roupas fechadas incoerentes com a temperatura, olhar assustado, reação exagerada diante de eventos inesperados, dificuldades de aprendizagem, distúrbios de fala, apatia, etc. Frente à desconfiança, temos o dever da denúncia aos Conselhos Tutelares, que protegem a identidade do denunciador e verificam a denúncia, para saber se ela procede. Todos que desconfiam preferiam não ver, mas a dúvida vai crescendo e jamais deve ser deixada de lado, sem que haja uma certeza de que eram apenas pulgas atrás da orelha .
 
Fonte : Dra. Renata De Luca Publicado : 28/04/2011
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