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Dicas de Saúde / Psicologia
 
O Corpo Fala
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Recebi um e-mail que merece ser compartilhado pela beleza e sabedoria das suas palavras. Antonia Marini, quem me enviou, disse que ele está fixado na porta de um espaço terapêutico. Na minha leitura, imagino ser alguma clínica de medicina holística, de tratamentos corporais ou algum espaço alternativo de saúde. Não importa, pois suas palavras valem para todos. Vamos a elas:

“O resfriado escorre quando o corpo não chora. A dor de garganta entope quando não é possível comunicar as aflições. O estômago arde quando as raivas não conseguem sair. O diabetes invade quando a solidão dói. O corpo engorda quando a insatisfação aperta. A dor de cabeça deprime quando as dúvidas aumentam. O coração desiste quando o sentido da vida parece terminar. A alergia aparece quando o perfeccionismo fica intolerável. As unhas quebram quando as defesas ficam ameaçadas. O peito aperta quando o orgulho escraviza. O coração enfarta quando chega a ingratidão. A pressão sobe quando o medo aprisiona. As neuroses paralisam quando a criança interna tiraniza. A febre esquenta quando as defesas detonam as fronteiras da imunidade. Preste atenção: o plantio é livre; a colheita é obrigatória. Preste atenção no que está plantando, pois será a mesma coisa que irá colher.”

A saúde tomou uma direção cada vez mais especializada, onde são valorizados os profissionais especialistas em alguma área, exames específicos e o olhar cada vez mais técnico. Evidentemente, isso traz benefícios, pois podemos contar com profissionais conhecedores de soluções para problemas inerentes àquele órgão ou função, mas o custo disso é que faltam profissionais com visão mais abrangente, que pensem o corpo e não apenas o organismo.

Corpo é diferente de organismo, pois inclui história, desejo, incoerência, memória afet iva e tudo mais que vem junto desde a primeira mamada do bebê. As funções corporais serão reguladas também pelo desejo e isso explica situações como a anorexia, bulimia ou outros transtornos que invertem a lógica fisiológica. Esse corpo pode adoecer por razões mais abrangentes, que não estão localizadas no órgão atingido e o risco do saber especialista é não se dar conta disso e focar o tratamento apenas no seu “quintal”.

Uma das coisas mais difíceis no ensino na área médica é fazer com que o aluno aprenda raciocínio clínico, pois antes de ser um especialista, ele deve aprender a pensar no todo, pois não existem funções isoladas no corpo humano. Mais do que isso, o homem pode adoecer por razões que ele mesmo desconhece, pois mecanismos inconscientes se fazem ouvir através do corpo; essa é a “descoberta” da psicossomática. As aspas são necessárias, pois apesar de hoje parecermos muito sabidos, estamos reinventando a pólvora: antes de Descartes, os antigos já sabiam que corpo e mente não se dividem.

Quando um idoso falece meses depois do companheiro de anos ter partido primeiro, quando um bebê pipoca de alergia após a perda da mãe, quando uma criança cai de pneumonia em meio às brigas dos pais ou um apaixonado sucumbe às viroses após ter sido traído, é o corpo encontrando formas de falar do sofrimento. Não adiantam apenas os remédios que curam o organismo. O corpo precisa de ajuda."

* Renata De Luca é psicóloga, especialista em psicanálise de crianças e de adolescentes, membro da Sociedade Brasileira de Pediatria e Diretora de RH do Grupo Segurança. Contato: renatadeluca@uol.com.br
 
Fonte : Dra. Renata De Luca Publicado : 07/10/2011
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